Assim como as letras são representações gráficas dos sons da fala, a pontuação é uma representação gráfica dos movimentos da fala
Isso quer dizer que mesmo um analfabeto
pontua quando fala. O que ele não sabe é interpretar sua codificação na grafia.
Seguindo esse princípio, vamos falar aqui de redatores de verdade,
e não de aventureiros de ocasião que se arriscam inadvertidamente nessa área.
O redator de um texto que será falado e não lido, tem por hábito,
ouvir dentro da sua cabeça, o texto falado e, depois o escreve e, normalmente
ainda o lê em voz alta para confirmar o que havia ouvido na imaginação para que
possa ser o mais fiel possível a sua criação.
O locutor, ou jornalista, ou ator deve ser o intérprete dessa ideia
fazendo a alquimia ao contrário: pega o texto e transforma-o de novo em verbo.
A pontuação é como uma partitura musical. Você pode ter uma
infinidade de interpretações boas sobre essa música, sem deixar de respeitar
essa partitura, ou caso contrário, correrá o risco de tocar outra música (assim
como no texto de rádio ou TV).
Entender a pontuação viva é fundamental!
O homem já falava antes da escrita e quando esta surgiu, ele apenas organizou seus símbolos. Por exemplo: quando o ser humano der esse tom chamaremos de ponto e marcaremos graficamente assim(.) Quando der este tom chamaremos de interrogação e marcaremos assim(?) Quando der este outro tom, chamaremos de reticências e marcaremos (…), e assim por diante.
Então é um absurdo pensar, por exemplo, que a vírgula é apenas uma
pausa curta ou que reticências é simplesmente deixar no ar. Isso só nos afasta
do que realmente interessa, que é interpretar um texto como quem fala com
verdade e plástica humana.
Todas as pontuações possuem seu
referencial no cotidiano da fala
Quando sensibilizado para essa percepção, vemos que todas as
pessoas têm pontuações próprias e predominantes que compõem sua personalidade.
A falta de consciência do que representa cada pontuação de nossa língua pode
nos levar a diversos equívocos. Talvez o mais cruel é aquele em que o autor da
obra é traído pelo intérprete que, ao não conhecer a função de cada pontuação,
tende a impor a sua pontuação pessoal ao texto, ou seja, em vez de ser o
intérprete do texto passa a usá-lo para interpretar a si mesmo.
Conhecemos isso em outras áreas em que vemos atores que nunca mudam
a maneira de interpretar mesmo mudando os papéis. Porém, há grande artistas da
interpretação que nos encantam com sua capacidade de adequar o texto à forma em
cada novo trabalho e constantemente nos iluminam com uma nova faceta da
natureza humana e da vida.
Uso da interpretação em rádio, TV e vídeo
Na locução de rádio, TV, ou vídeo a razão é a mesma. Podemos perceber locutores
de grande capacidade de interpretação nesta área. Citaria na área de locução o
grande profissional Edson Mazieiro, com o qual tive a oportunidade e o
privilégio de ministrar aulas de locução. Um intérprete que em sua história é
possível ter uma série de comerciais, ou narrações seguidas na TV e você sequer
pensa que é o mesmo locutor.
Esse é o conceito de intérprete: aquele que traduz com clareza a ideia e o sentimento de quem escreveu. E isso é uma arte!
Claro que existem exceções, mas a exceção existe apenas para
confirmar a regra.
Há mais de três décadas trabalhando com interpretação, com locução
de rádio e TV, pude por experiência própria, ao ministrar interpretação em
locução com diversos e grandes profissionais de rádio e TV, acreditar que
existe uma metodologia de interpretação nessa área que ofereça ao profissional
uma técnica que permita a esse um aprimoramento infinito, independente do seu
tempo de experiência.
Ao olhar para todos os profissionais que
passaram por mim creio que estou no caminho certo. Espero deixar esse legado
não só aos contemporâneos com para as próximas gerações.
O conhecimento é insignificante se não
podemos passá-lo adiante.
Venha aprender na prática essa técnica e outras comigo no “Curso Avançado de Interpretação para Locutores e Jornalistas de Rádio e TV”, no Espaço Renoir Comunicação e Arte.
Autor:Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.
Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".

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