03 março 2023

Só há um caminho para o comunicador de áudio e vídeo não perder o seu mercado de trabalho para a Inteligência Artificial

 A evolução das tecnologias através da inteligência artificial, como ChatGPT e similares, já assemelham de forma surpreendente o trabalho do locutor e/ou apresentador de áudio e vídeo em diversas circunstâncias e estilos.

 


Isso pode ser verdade quando se trata de uma locução de estilo padrão (uma voz de timbre agradável, bem articulada, com uma cadência melódica) ou no chamado "naturalzinho descomprometido”.

A matéria-prima utilizada é humana, fornecida pelos profissionais (humanos), que carregam a memória desses sistemas com uma infinidade de locuções, ou no caso de vídeo, com um grande banco de apresentadores reais de vídeo com a chamada apresentação “padrão (expressão mais rígida e distanciada com movimentos marcados e repetitivos) ou avatares que permitem uma incontável combinação de imagem e vozes em uma diversidade de cenários criados digitalmente.

Uma oferta de encher os olhos para os clientes ávidos por uma apresentação de qualidade “padrão” a preços infinitamente menores.

Basta escolher a voz, feminina ou masculina, infantil, jovem ou madura, com um estilo neutro, clássico,  formal, animado ou o "naturalzinho descomprometido".

Além de velocidade, pausa, ênfase e uma meia dúzia de micro gestos para os avatares.

Prepare-se para esse novo mercado

A urgência é que o profissional de comunicação tem que ser mais bem preparado para não perder a profissão para essa “Matrix”.

Não adianta falar que não vai funcionar porque o locutor humano dá emoção, vida ao texto.
Isso é bobagem já que essas IAs têm alimentadas suas memórias por profissionais homo sapiens sapiens, que gravam com toda a emoção necessária e, tal material, fica ao bel prazer da inteligência artificial para combiná-las conforme o padrão solicitado.
O telefone foi praticamente substituído pelo surgimento do WhatsApp. A reclamação das empresas tradicionais de telefonia foi geral. Todas as tentativas políticas e jurídicas foram acionadas para tentar deter essa nova forma ágil e, principalmente, de baixo custo para a comunicação. Em vão.
Hoje, com recursos de voz, imagem, vídeo, documentos e tantos outros. O telefone padrão virou um dinossauro usado por poucos.

Mas logo depois chegou um serviço arrojado como o Zoom, Google Meet e outros, que tornaram ainda mais arrojada essa comunicação a um custo muito mais alto para o usuário.

Acredito que o mesmo acontecerá com os comunicadores de áudio e vídeo.
Explico: uma pesquisa realizada pela Universidade de Los Angeles detectou a existência de até 700 mil gestos diferentes na natureza humana.

Movimento é diferente de gesto

Coloco aqui que movimento é diferente de gesto. Movimento é apenas movimento, andar, levantar, sacudir. O gesto é um movimento que comunica algo, como fazer um V de vitória com os dedos, sorrir, desenhar um objeto com as mãos etc.
A mesma pesquisa mostra que as nuances vocais representam quase 40% da comunicação ocidental (o que atende plenamente a comunicação linear das mídias).
Sabemos que a nuance vocal está diretamente ligada ao movimento do corpo e sua integração.
Todo movimento corporal tem a sua nuance equivalente. Assim, podemos realizar até 700 mil nuances vocais diferentes. Coisa que, mesmo na área cênica, só raros atores conseguem desenvolver na sua técnica de interpretação.

Temos na interpretação arrojada a variação de tempo-ritmo (que não se limita só a pausas e velocidade), além da técnica de divisão dos grandes e pequenos tempos da interpretação verbal do texto como: manchete, apresentação, relato, conclusão, pautas, degraus de intensidade e patamares. 

Essas são características técnicas de interpretação ainda muito difíceis, mesmo para uma avançada IA.

Desconheço as possibilidades de o mundo digital dominar tais temas tão cedo, embora acredite que ainda vai melhorar muito em um relativo curto espaço de tempo!

Enfim, essa é a grande saída, ou melhor, permanência do profissional de comunicação no mercado do século XXI.
E assim como WhatsApp para o Zoom, este profissional será muito mais desejado e, consequentemente, mais bem recompensado em valores econômicos.
Isso exigirá do profissional da comunicação uma preparação muito mais arrojada na sua interpretação vocal e corporal.
Caso contrário, poderá continuar reclamando, fazendo chacota e cara feia para as novas tecnologias, mas o trem bala vai passar e você ficará fora dele.

Bibliografia
 
SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora, visual, verbal: aplicações na hipermídia. São Paulo: Editora Iluminuras, 2001.
VIEIRA, Regina. Técnica de Alexander: postura, equilíbrio e movimento.São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2009. 
KUSNET, Eugênio. Ator e Método.Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Artes Cênicas (Coleção Ensaios), 1985.
MEHRABIAN, Albert. Non Verbal Communication. Editora Routledge, 2007.
STANISLAVISKI, Constantin. A Criação de um Papel.Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.
Barreto, Pedro, Interpretação para comunicadores de áudio e Vídeo (guia práticoSão Paulo: Editora Renoir, 2001.


Autor:



Pedro Barreto é bacharel em teatro, locutor, apresentador e diretor de áudio e vídeo. Há 34 anos desenvolveu o "Método Pedro Barreto para Comunicadores de Áudio e Vídeo".

Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.

Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".


08 novembro 2022

Respeitar a pontuação no texto é muito importante para a interpretação na locução de áudio e vídeo

Assim como as letras são representações gráficas dos sons da fala, a pontuação é uma representação gráfica dos movimentos da fala



Isso quer dizer que mesmo um analfabeto pontua quando fala. O que ele não sabe é interpretar sua codificação na grafia.

Seguindo esse princípio, vamos falar aqui de redatores de verdade, e não de aventureiros de ocasião que se arriscam inadvertidamente nessa área.

O redator de um texto que será falado e não lido, tem por hábito, ouvir dentro da sua cabeça, o texto falado e, depois o escreve e, normalmente ainda o lê em voz alta para confirmar o que havia ouvido na imaginação para que possa ser o mais fiel possível a sua criação.

O locutor, ou jornalista, ou ator deve ser o intérprete dessa ideia fazendo a alquimia ao contrário: pega o texto e transforma-o de novo em verbo.

A pontuação é como uma partitura musical. Você pode ter uma infinidade de interpretações boas sobre essa música, sem deixar de respeitar essa partitura, ou caso contrário, correrá o risco de tocar outra música (assim como no texto de rádio ou TV).

Entender a pontuação viva é fundamental!

O homem já falava antes da escrita e quando esta surgiu, ele apenas organizou seus símbolos. Por exemplo: quando o ser humano der esse tom chamaremos de ponto e marcaremos graficamente assim(.) Quando der este tom chamaremos de interrogação e marcaremos assim(?) Quando der este outro tom, chamaremos de reticências e marcaremos (…), e assim por diante.

Então é um absurdo pensar, por exemplo, que a vírgula é apenas uma pausa curta ou que reticências é simplesmente deixar no ar. Isso só nos afasta do que realmente interessa, que é interpretar um texto como quem fala com verdade e plástica humana.

Todas as pontuações possuem seu referencial no cotidiano da fala

Quando sensibilizado para essa percepção, vemos que todas as pessoas têm pontuações próprias e predominantes que compõem sua personalidade. A falta de consciência do que representa cada pontuação de nossa língua pode nos levar a diversos equívocos. Talvez o mais cruel é aquele em que o autor da obra é traído pelo intérprete que, ao não conhecer a função de cada pontuação, tende a impor a sua pontuação pessoal ao texto, ou seja, em vez de ser o intérprete do texto passa a usá-lo para interpretar a si mesmo. 

Conhecemos isso em outras áreas em que vemos atores que nunca mudam a maneira de interpretar mesmo mudando os papéis. Porém, há grande artistas da interpretação que nos encantam com sua capacidade de adequar o texto à forma em cada novo trabalho e constantemente nos iluminam com uma nova faceta da natureza humana e da vida.

Uso da interpretação em rádio, TV e vídeo

Na locução de rádio, TV, ou vídeo a razão é a mesma. Podemos perceber locutores de grande capacidade de interpretação nesta área. Citaria na área de locução o grande profissional Edson Mazieiro, com o qual tive a oportunidade e o privilégio de ministrar aulas de locução. Um intérprete que em sua história é possível ter uma série de comerciais, ou narrações seguidas na TV e você sequer pensa que é o mesmo locutor.

Esse é o conceito de intérprete: aquele que traduz com clareza a ideia e o sentimento de quem escreveu. E isso é uma arte!

Claro que existem exceções, mas a exceção existe apenas para confirmar a regra.

Há mais de três décadas trabalhando com interpretação, com locução de rádio e TV, pude por experiência própria, ao ministrar interpretação em locução com diversos e grandes profissionais de rádio e TV, acreditar que existe uma metodologia de interpretação nessa área que ofereça ao profissional uma técnica que permita a esse um aprimoramento infinito, independente do seu tempo de experiência.

Ao olhar para todos os profissionais que passaram por mim creio que estou no caminho certo. Espero deixar esse legado não só aos contemporâneos com para as próximas gerações.


O conhecimento é insignificante se não podemos passá-lo adiante.

Venha aprender na prática essa técnica e outras comigo no “Curso Avançado de Interpretação para Locutores e Jornalistas de Rádio e TV”, no Espaço Renoir Comunicação e Arte.

Autor:



Pedro Barreto é bacharel em teatro, locutor, apresentador e diretor de áudio e vídeo. Há 34 anos desenvolveu o "Método Pedro Barreto para Comunicadores de Áudio e Vídeo".

Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.

Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".


07 setembro 2022

Gesto tradutor: o que você deve saber para melhorar a sua comunicação e evitar vícios de linguagem

 

Gesto tradutor: qual a importância de dominar esse assunto e evitar vícios de linguagem para jornalistas, apresentadores de TV e Youtubers?


     Imagem: FreePik

De William Bonner a Sergio Chapelin, todos admitem que não sabem o que fazer com as mãos quando estão em um enquadramento mais aberto.

 

Dentro dos estudos do “Método de Interpretação para Locutores e Jornalistas de Rádio e TV”, há um estudo bastante detalhado que envolve a interpretação do jornalista/locutor em rádio e TV versus semiótica.

 

Nessas três décadas de pesquisa sobre o uso do corpo na comunicação, muitas foram as fontes das quais bebi para ganhar centenas de conhecimentos sobre este assunto. Mas, falemos de alguns dos muitos conhecimentos apreendidos nesta área.

 

Conceito de gesto

 

Denomina-se gesto a manifestação corporal de um estado de ânimo, de uma ênfase a uma ideia. Os gestos podem ser feitos com várias partes do corpo ou com o corpo todo. Na maioria das vezes, são movimentos involuntários que as pessoas fazem quando se comunicam com outras.

 

Diferença entre gesto e movimento

 

Embora os gestos possam ser realizados por praticamente todas as partes do corpo, neste artigo vou me limitar ao uso de exemplos que envolvem as mãos, que é o nosso tema em questão.

 

Primeiro temos de diferenciar gesto e movimento: gesto é um movimento que comunica algo e movimento não.

 

Tipos de gestos:

 

Antes que caiamos em uma retórica filosófica, vamos as definições científicas dos tipos de gestos: 

 

Eles podem ser:

 

1)    Gestos descritivos



 

Exemplo: você mostrando com a mão a proporção de algo e dizendo que o salário está baixo, por exemplo:











 

2)    Gestos simbólicos

 

Exemplo: levantando o polegar para dizer que é positivo ou balançando o dedo indicador para passar uma negativa enquanto fala. 

 








3)    Gestos expressivos

 


Exemplo: são gestos que demonstram emoção ou intenção. Um sorriso é um gesto expressivo. 

 











4)    Gesto discursivo/dispersivo (antigesto)

 


E existe também o antigesto, o chamado gesto discursivo ou dispersivo, que eu “carinhosamente chamo de gestinho”.

 

Enfim, é aquele gesto que não tem nada a ver com o que o profissional da comunicação está falando.

 

Exemplo: ficar mostrando a palma da mão como se estivesse com uma bandeja enquanto dá uma notícia sobre um acidente, ou ficar com a ponta do polegar e do dedo indicador apertados e com a mão quicando enquanto passa uma notícia sobre política, ou ainda ficar balançando o pescoço para cima e para baixo enquanto faz uma passagem sobre economia, entre outros.

 

Não é à toa que estes "gestinhos" são chamados de dispersivos, já que ao prestarmos atenção neles (que não dizem nada) perdermos a atenção sobre o comunicador que nos fala.

 

E não pense que os locutores comerciais, narrativos, apresentadores de rádio, podcast e afins estão livres desta regra. Apesar de usar a voz, ao usar gestos dispersivos, sua interpretação será contaminada por um ritmo viciado e sem riquezas de expressão em suas nuances vocais.

 

O desenvolvimento da técnica de conhecimento e descondicionamento dos gestos tem ajudado muitos profissionais a superar esta deficiência.

 

Está provado: por mais experiente e competente que sejamos na comunicação, sempre é possível ser melhor!

 


Autor:


Pedro Barreto é bacharel em teatro, locutor, apresentador e diretor de áudio e vídeo. Há 34 anos desenvolveu o "Método Pedro Barreto para Comunicadores de Áudio e Vídeo".

Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.

Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".


06 setembro 2022

Como aprender a falar sem público?

 Como aprender a falar sem público?



Sempre tivemos os paradigmas do falar em público desde as raízes da antiguidade para o mundo ocidental, particularmente na Grécia antiga. Para alguns, tendo sua maturidade no século de Péricles, com o surgimento do sistema de democracia. 

A ascensão dos grandes oradores perpetuou a ideia de poder ligada à oratória. Willian Shakespeare imortaliza o ato que mudará toda a história do ocidente no antológico discurso público de Marco Antonio em sua tragédia teatral intitulada Júlio César”.

Uso da comunicação na pós-modernidade


O pós-moderno antecipado nos oferece o discurso para um objeto chamado câmera ou webcam.


Pode parecer fácil para uma minoria, mas a verdade é que boa parte das pessoas  é tomada por uma incapacidade, um desalento, uma verdadeira angústia em que suas ferramentas presencias tão conhecidas e aplicadas, já não fazem sentido e parecem se apoiar em um mar de nuvens que se desfazem à medida que começa a falar: fala mais alto que deve, se mexe demais e sem sentido ou fica congelada como quem acabou de sofrer o olhar gélido da Medusa e, que de sobra, só lhe restou a voz.

Tudo parece estranho e frustrante. Por vezes, em reuniões online, permanece sem abrir o olho eletrônico e se esconde atrás da cortina escura da tela. 

E, simultaneamente, também desaparece as perspectivas de crescimento na empresa, já que essa sequer a vê.

Quando está em posição de liderança e tem que manter olhar do computador aberto para sua performance, cria posturas artificiais e, no inverso, busca ser natural e remexe o globo ocular para os lados ou para cima, mostrando o branco dos olhos (sensação muito ruim para quem assiste).

Ou força a ideia de que está falando consigo mesmo e ninguém está vendo. A partir daí, passa a falar muito rápido ou muito devagar com o uso de cacoetes: mãos e pés que balançam à toa e repetidamente.  Já os vícios de linguagem se multiplicam e aparecem uns cem números de "nés" ou arrastos de vogais: Êêe…. Aaaa… Ôôô….  Caso é que não pode ser assim…(rs)


Bons ou ruins, nos transformamos todos em comunicadores de áudio e vídeo! 

Aprender técnicas que proporcionem ao ser humano uma forma tranquila, envolvente, efetiva e aparentemente natural frente à webcam/câmera é primordial em tempos digitais!

As ferramentas para isso estão na ciência, na psicologia, na filosofia e na arte.

Precisamos nos apropriar delas e entender que hoje a frase se inverte e se impõe:

De: Cresça e apareça.

Para:  APAREÇA E CRESÇA!

Autor:

Pedro Barreto é bacharel em teatro, locutor, apresentador e diretor de áudio e vídeo. Há 34 anos desenvolveu o "Método Pedro Barreto para Comunicadores de Áudio e Vídeo".

Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.

Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".



02 setembro 2022

O uso da voz ao microfone

O uso da voz ao microfone: como utilizar esse recurso para a comunicação no audiovisual (TV, rádio, podcast, YouTube)


O estudo sobre a acústica e a engenharia eletrônica do microfone proporcionou conhecimentos valiosos. A voz é um som como outro qualquer, ou seja, são ondas sonoras que se propagam no ar. Toda onda sonora tem direção de acordo com sua projeção e força. A voz humana tem as mesmas características. Podemos projetá-la para qualquer direção.


A técnica mais impressionante dentro dessa área é a do ventríloquo, pois este consegue projetar a sua voz de uma maneira que cria a ilusão de não estar saindo de sua boca, mas sim do boneco que manipula.


Já o microfone funciona como um ouvido eletrônico: tem um diafragma que realiza as mesmas funções dos ossículos do ouvido humano (martelo, bigorna e estribo).


Bom, mas vamos ao que interessa: a aplicação da voz ao microfone.


Com o resultado de décadas de pesquisa em bases científicas e empíricas, podemos determinar várias técnicas que auxiliam na interpretação do locutor, jornalista, ou comunicador em TV, rádio ou vídeo:


O microfone representa o ouvido do seu telespectador/ouvinte


Quando você fala você está a no máximo um palmo do ouvido de alguém. Por isso, sempre use o volume adequado que você falaria com uma pessoa a essa distância.


Faça uma experiência: procure interpretar um texto bem próximo ao microfone e fale como se estivesse sussurrando ao pé do ouvido de alguém. Isso pode te dar uma percepção clara de como pode ser poderosa a captação deste aparelhinho chamado microfone.


Nunca faça a locução para o estúdio, pois isso tira a intimidade com o telespectador/ouvinte


Toda comunicação em rádio/ TV é individual (o comunicador se dirige a apenas uma pessoa e através dela fala com milhares ou milhões).


Não adianta pensar que está falando para uma multidão. Isso deixa a comunicação impessoal.


Quanto à direção, o microfone está à sua frente ou, no caso do microfone lapela, está a um palmo abaixo da sua boca. Portanto, procure projetar a voz para frente e não para cima (o teto não irá ouvi-lo).


Gosto de usar esta imagem: imagine que o microfone é um filtro de café cheio de pó de café e sua voz é água quente. É preciso jogar a água quente para dentro do filtro para fazer um café gostoso. Não deixe a água cair para fora.


Na Televisão, o apresentador ou jornalista tende a projetar a voz para a distância da câmera que está ali há uns 2 ou 3 metros. Essa ação torna a voz mais estridente, impessoal e sem nenhuma nuance.


O microfone lapela (ouvido do telespectador) está muito próximo, ali preso a sua roupa. Por isso, nada justifica gritar ao microfone!


Para o microfone, volume não é sinônimo de animação. Projeção e volume são coisas diferentes


Mesmo em situações de externas muito barulhentas a regra do falar muito alto não vale. Porque todo microfone tem captação direcional e o ouvinte/ telespectador não ouve este som local de maneira forte. Ele só ouve você berrando a informação, o que, para ele é incompreensível.


Ao microfone, menos é mais e mais é menos!


Lembre-se disso na hora de gravar.


Alguns profissionais intuitivamente desenvolvem vários desses pontos, mas a vivência desses estudos mostra que a consciência desses fatores melhora bastante o uso da sua técnica obtida pelo talento e experiência.


Está provado: por mais experiente e competente que sejamos na comunicação, sempre é possível ser melhor!



Autor:


Pedro Barreto é bacharel em teatro, locutor, apresentador e diretor de áudio e vídeo. Há 34 anos desenvolveu o "Método Pedro Barreto para Comunicadores de Áudio e Vídeo".

Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.

Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".