Gesto tradutor: qual a importância de dominar esse assunto e evitar vícios de linguagem para jornalistas, apresentadores de TV e Youtubers?
De William Bonner a Sergio Chapelin, todos admitem
que não sabem o que fazer com as mãos quando estão em um enquadramento mais
aberto.
Dentro dos estudos do “Método de Interpretação para Locutores e
Jornalistas de Rádio e TV”, há um estudo bastante detalhado que envolve a
interpretação do jornalista/locutor em rádio e TV versus semiótica.
Nessas três décadas de pesquisa sobre o uso do corpo na comunicação,
muitas foram as fontes das quais bebi para ganhar centenas de conhecimentos
sobre este assunto. Mas, falemos de alguns dos muitos conhecimentos apreendidos
nesta área.
Conceito de gesto
Diferença entre gesto e movimento
Embora os gestos possam ser realizados por praticamente todas as partes
do corpo, neste artigo vou me limitar ao uso de exemplos que envolvem as mãos,
que é o nosso tema em questão.
Primeiro temos de diferenciar gesto e movimento: gesto é um movimento
que comunica algo e movimento não.
Tipos de gestos:
Antes que caiamos em uma retórica filosófica, vamos as definições científicas dos tipos de gestos:
Eles podem ser:
1) Gestos descritivos
Exemplo: você mostrando com a mão a proporção de algo e dizendo que o salário está baixo, por exemplo:
2) Gestos simbólicos
Exemplo: levantando o polegar para dizer que é positivo ou balançando o dedo indicador para passar uma negativa enquanto fala. 3) Gestos expressivos
Exemplo: são gestos que demonstram emoção ou intenção. Um sorriso é um gesto expressivo.
4) Gesto discursivo/dispersivo (antigesto)
E existe também o antigesto, o chamado gesto discursivo ou dispersivo, que eu “carinhosamente chamo de gestinho”.
Enfim, é aquele gesto que não tem nada a ver com o que o profissional da
comunicação está falando.
Exemplo: ficar mostrando a palma da mão como se estivesse
com uma bandeja enquanto dá uma notícia sobre um acidente, ou ficar com a ponta
do polegar e do dedo indicador apertados e com a mão quicando enquanto passa
uma notícia sobre política, ou ainda ficar balançando o pescoço para cima e para baixo
enquanto faz uma passagem sobre economia, entre outros.
Não é à toa que estes "gestinhos" são chamados de dispersivos, já que ao
prestarmos atenção neles (que não dizem nada) perdermos a atenção sobre o
comunicador que nos fala.
E não pense que os locutores comerciais, narrativos, apresentadores de
rádio, podcast e afins estão livres desta regra. Apesar de usar a voz, ao usar
gestos dispersivos, sua interpretação será contaminada por um ritmo viciado e
sem riquezas de expressão em suas nuances vocais.
O desenvolvimento da técnica de conhecimento e descondicionamento dos
gestos tem ajudado muitos profissionais a superar esta deficiência.
Está provado: por mais experiente e competente que sejamos na
comunicação, sempre é possível ser melhor!
Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.
Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".




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