07 setembro 2022

Gesto tradutor: o que você deve saber para melhorar a sua comunicação e evitar vícios de linguagem

 

Gesto tradutor: qual a importância de dominar esse assunto e evitar vícios de linguagem para jornalistas, apresentadores de TV e Youtubers?


     Imagem: FreePik

De William Bonner a Sergio Chapelin, todos admitem que não sabem o que fazer com as mãos quando estão em um enquadramento mais aberto.

 

Dentro dos estudos do “Método de Interpretação para Locutores e Jornalistas de Rádio e TV”, há um estudo bastante detalhado que envolve a interpretação do jornalista/locutor em rádio e TV versus semiótica.

 

Nessas três décadas de pesquisa sobre o uso do corpo na comunicação, muitas foram as fontes das quais bebi para ganhar centenas de conhecimentos sobre este assunto. Mas, falemos de alguns dos muitos conhecimentos apreendidos nesta área.

 

Conceito de gesto

 

Denomina-se gesto a manifestação corporal de um estado de ânimo, de uma ênfase a uma ideia. Os gestos podem ser feitos com várias partes do corpo ou com o corpo todo. Na maioria das vezes, são movimentos involuntários que as pessoas fazem quando se comunicam com outras.

 

Diferença entre gesto e movimento

 

Embora os gestos possam ser realizados por praticamente todas as partes do corpo, neste artigo vou me limitar ao uso de exemplos que envolvem as mãos, que é o nosso tema em questão.

 

Primeiro temos de diferenciar gesto e movimento: gesto é um movimento que comunica algo e movimento não.

 

Tipos de gestos:

 

Antes que caiamos em uma retórica filosófica, vamos as definições científicas dos tipos de gestos: 

 

Eles podem ser:

 

1)    Gestos descritivos



 

Exemplo: você mostrando com a mão a proporção de algo e dizendo que o salário está baixo, por exemplo:











 

2)    Gestos simbólicos

 

Exemplo: levantando o polegar para dizer que é positivo ou balançando o dedo indicador para passar uma negativa enquanto fala. 

 








3)    Gestos expressivos

 


Exemplo: são gestos que demonstram emoção ou intenção. Um sorriso é um gesto expressivo. 

 











4)    Gesto discursivo/dispersivo (antigesto)

 


E existe também o antigesto, o chamado gesto discursivo ou dispersivo, que eu “carinhosamente chamo de gestinho”.

 

Enfim, é aquele gesto que não tem nada a ver com o que o profissional da comunicação está falando.

 

Exemplo: ficar mostrando a palma da mão como se estivesse com uma bandeja enquanto dá uma notícia sobre um acidente, ou ficar com a ponta do polegar e do dedo indicador apertados e com a mão quicando enquanto passa uma notícia sobre política, ou ainda ficar balançando o pescoço para cima e para baixo enquanto faz uma passagem sobre economia, entre outros.

 

Não é à toa que estes "gestinhos" são chamados de dispersivos, já que ao prestarmos atenção neles (que não dizem nada) perdermos a atenção sobre o comunicador que nos fala.

 

E não pense que os locutores comerciais, narrativos, apresentadores de rádio, podcast e afins estão livres desta regra. Apesar de usar a voz, ao usar gestos dispersivos, sua interpretação será contaminada por um ritmo viciado e sem riquezas de expressão em suas nuances vocais.

 

O desenvolvimento da técnica de conhecimento e descondicionamento dos gestos tem ajudado muitos profissionais a superar esta deficiência.

 

Está provado: por mais experiente e competente que sejamos na comunicação, sempre é possível ser melhor!

 


Autor:


Pedro Barreto é bacharel em teatro, locutor, apresentador e diretor de áudio e vídeo. Há 34 anos desenvolveu o "Método Pedro Barreto para Comunicadores de Áudio e Vídeo".

Já atendeu mais de 10.000 comunicadores no Brasil.

Autor do livro "Interpretação para Comunicadores de Áudio e Vídeo (guia prático)".


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